sexta-feira, 21 de abril de 2017

Meu planeta é uma árvore


A minha caminhada tem muito tempo.
Estou chegando de jornadas infindas.
Você... Que bom encontrar você.
Deixa eu me aconchegar em seus braços.
Pega na minha mão e sigamos juntos.
Em busca do sol quente e do vento que o tempere.
Vamos encontrar uma árvore frondosa.

Uma árvore frondosa... É cenário de tudo.
Quero conversar ali com você intensamente.
Quero aplacar meus medos... Minhas aflições.
Quero aplacar seus medos... Suas aflições.
Oxalá seus medos sejam menores que os meus.
Juntos podemos fazer um mundo cheio de cores.
Digamos... Eu sei... Você é a minha aquarela.

Árvore frondosa... Imuniza-me de todos os males.
Contempla-me com belos horizontes.
Não mais estou só. Você é casa da minha paixão.
Não mais muito quero caminhar. Cesso a peregrinação.
Que mais iria eu querer além disto aqui?
Preciso de mais um abraço. Igual ao primeiro.
Igual ao primeiro e aos milhares que ainda virão.

Pega na minha mão. Sinta o aroma das flores.
Contemple os animais que passam discretamente.
Inofensivos como a imensidão desta paisagem.
Veja a borboleta amarela. Veja a pureza da margarida.
Veja o frescor desta sombra. Veja o bater do meu coração.
Este mundo tem você. Só com você consigo vê-lo.
Árvore frondosa... Boa sombra depois de muito caminhar.

Vai chover... Vai ter frio... Mas volta a ter sol.
Eu tenho o seu abraço e, também, os seus beijos.
Há um planeta enorme e complexo em tudo isso.
Meu mundo... Seu mundo... É este perene afago.
Agora faz-me um favor... Colhe para mim aquela flor.
Eu podia colhê-la... Mas teria então um impedimento.
Seria privado de contemplar toda a sua graça.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Cristo nasce no Brasil

    José e Maria, 25 de dezembro de 1983, vivem momento de enorme expectativa. Maria, grávida, está para dar à luz o prometido filho de Deus. O mais difícil, para os dois, é encontrar, no Rio de Janeiro, um lugar onde o bebê possa nascer com a paz que merece. 
    O casal bate, infrutiferamente, em muitas portas. Hospitais, obstetras, pediatras, postos de saúde... Ninguém atende seus apelos. Mansões, palácios, prédios colossais... Também daí não surge qualquer respaldo. A hora do menino Jesus nascer está chegando e, sequer, José e Maria dispõem de um ambiente adequado para isso.
    Maria já não suporta as dores que precedem o parto. O menino vai nascer a qualquer momento. Isso é inevitável. Improtelável. José e Maria, então, resolvem entrar no primeiro galpão que encontram. Ao abrirem a porta se deparam com duas centenas de mendigos (alcoólatras, tuberculosos, leprosos...). Estes, ao contrário do que podia se esperar, lhes dão guarida. 
    PLATEIA EMOCIONADA
    José e Maria têm mas não precisam apresentar qualquer argumento. Os moradores do barraco não requerem explicação. Sabem que uma criança está para nascer e, com muito orgulho, preparam-se para recebê-la. Até se percebe um clima de emoção no ambiente. A pobreza que circunda se torna pequena diante de tanta disposição à solidariedade. 
    Maria, finalmente, pode ter o seu tão esperado filho. O menino Jesus chora, como toda criança faz no nascimento, mas sem motivar preocupação aos pais e nem à plateia acolhedora. Por incrível que pareça aqueles carentes moradores do galpão sabem agir com a discrição que o momento exige. 
    A chegada do menino Jesus é festejada. Humildemente festejada. Não há poder para pompa. José e Maria, agora, só querem saber o que de melhor podem fazer para cumprir a missão que lhes foi delegada. Está ali o filho de Deus. Um ser, amado como filho, cortejado como representante do céu... Merecedor de zelo especial da parte dos pais. Nem a certeza de que se trata do filho de Deus permite a José e Maria arriscar um mínimo de descuido.
    OS TRÊS REIS MAGOS
     Doze dias já se passaram do nascimento do Messias. Os degradados moradores do galpão enviam, dia 6 de janeiro de 1984, três representantes para um contato com José e Maria. Todos estão ansiosos por informação sobre a criança recém-nascida. Não têm a menor ideia de que ali, naquele espaço tão pobre, tinha nascido o filho de Deus. É esse um momento de enorme emoção. Um dos agentes nomeados presenteia o menino Jesus com a sua camisa. Outro deixa o seu boné que: "vai ficar muito bem no garoto quando estiver crescido". O terceiro tem 10 cruzeiros no bolso e resolve doar para que o casal tenha condições mínimas de sustento ao recém-chegado.
    PENOSA PEREGRINAÇÃO
     Rio de Janeiro, cidade maravilhosa, mas o filho de Deus tem que se virar. Sofre todo tipo de preconceito. É pobre. Não tem sobrenome. Não tem padrinho político. É um "João Ninguém". Não dá carteiraço. Mesmo ciente de que é agente do céu na terra não se impõe. Pede esmola, carrega malas na estação rodoviária, faz breves espetáculos em semáforos... No mundo em que o colocaram ninguém sobrevive sem uma coisa que se chama "dinheiro". Nem que seja pouco dinheiro é essencial para a subsistência. Sem um mínimo desse instrumento o sujeito morre de fome. Isto sem falar de que, no país onde está o Rio de Janeiro, até os ricos experimentam algum tipo de carência. Algum tipo de frustração. É verdade. A pessoa neste país chamado Brasil já nasce forte para suportar os deprimentes embates. 
    O poder vê, no jovem Jesus Cristo, um possível agente para as suas ações de rotina. Propostas não faltam. O chefão do tráfico de drogas acha que ele pode ser um "mula". O dono da rede de caça-níqueis vê ali um talento para gerência. Os bicheiros também fazem as suas tentativas. Os partidos políticos... Veja só... A promiscuidade política do Brasil igualmente pensa que pode usar o filho de Deus para as suas artimanhas. Todos estão enganados. Aquele ser humano está centrado em uma missão: tornar a terra um lugar de felicidade para todos os seus habitantes.
    IRREDUTÍVEL TRAJETÓRIA
    Jesus Cristo, nascido em 1983, no Rio de Janeiro, a nada se submete. Sua integridade se torna notória. Em todas as partes do mundo se fala de um cidadão, enviado por Deus, para colocar as coisas em dia no planeta. Nascer no Rio de Janeiro? Por quê? Talvez porque de lá partam para o mundo informações de episódios que podem até convencer Deus de que foi um erro a criação da humanidade.
     Finalmente o filho de Deus é levado a sério. Quando o sistema dominante descobre que ele é capaz, até, de curar enfermos com um simples toque de mão, o pânico se consolida. Ninguém quer um único ser com tanto poder. Imagine se ele acabar gerando outros. "Nós seremos implacavelmente descartados". A união de facções poderosas é, neste cenário, uma solução vislumbrada. O filho de Deus precisa ser poderosamente combatido. 
    Meus queridos conterrâneos... Brasileiros de todas as plagas... Vocês estão vendo aí que tivemos a chance de conviver com o Messias. Só que, lamento dizer, todo mundo se declara puro até que alguém coloque algum entrave em seu caminho. Os puros brasileiros - felizmente nem todos - têm muito medo da ação do filho de Deus. "É vital que o eliminemos".  
    CRUEL PUNIÇÃO
    José e Maria haviam escolhido o Brasil, um país conhecidamente religioso, para o nascimento do filho de Deus. A sina histórica, porém, está se repetindo. Os poderosos deste novo tempo não se sentem a vontade com uma tão lúcida e correta liderança misturada com o povo. "Temos que apagar este sujeito". 
    Chefões do tráfico de drogas... Proprietários de indústrias de produtos fraudados (leite, carne, embutidos, remédios...)... Políticos das mais diferentes esferas... Donos de empreiteiras que atuam no mundo todo... Ninguém admite que o filho de Deus possa manter a sua trajetória. Forma-se, assim, uma união de forças maquiavélicas para retirar, do seio da sociedade presente (abril/2017), aquele sujeito abominável.
    É assim que Jesus Cristo, depois de uma segunda "Via Crucis", acaba outra vez pregado em uma cruz. Deve ali morrer de dor, febre, fome, sede... Deve morrer da forma mais penosa possível. É o filho de Deus. Quem manda ser o filho de Deus!!! Você podia ser filho de qualquer um. É filho de Deus? Dane-se!!! 
    CHANCE DE SALVAÇÃO
    Jesus Cristo, mesmo na cruz, em cenário de destaque no Rio de Janeiro, tem uma mínima chance de sair vivo de todo episódio. Ao lado dele, crucificado, está "Renanbraz". É dado ao público o poder de decisão para a liberdade de um dos dois crucificados. Os votantes, entretanto, todos envolvidos em operações como Lava-Jato, Leite Compensado, Carne Fraca... É!!! Essa gente recebe a incumbência de escolher quem, daqueles dois crucificados, deve ser salvo. Imagine quem ganhou esta parada. "Renanbraz" desceu da cruz sob aplausos enquanto Jesus Cristo suplicava por uma gota d'água. 
    Jesus Cristo, filho de Deus, nascido no Rio de Janeiro... Acolhido por um grupo heterogênico de necessitados. Filho de Deus mais uma vez recusado. Mais uma vez perseguido. Mais uma vez sacrificado. Jesus Cristo!!! Eu preciso tanto que respeitem a mim. Se não respeitam você. Qual é a minha esperança? Contudo: não desisto. Jesus Cristo!!! Suplico por uma terceira tentativa. Eu o acolho.
    

sábado, 8 de abril de 2017

Acho que exagerei

    Em um determinado momento passei a fazer uma análise atenciosa e constante sobre a forma como meu primeiro filho se comportava em relação aos estudos. Precisava saber se ele estava acatando aquilo que eu havia absorvido como certo ao longo de ensinamentos paternos extremamente severos.
    O garoto recém chegava da escola e lá estava eu verificando caligrafia, cumprimento de tarefas, nível de aprendizagem... Enfim: eu decidira sargentear os procedimentos daquele ser em seus primeiros passos na vida das lições oficiais. Acho que este é um erro de todo pai estreante. 
    Para minha surpresa tudo costumava estar perfeito. O menino era zeloso nos mais diferentes aspectos. Matemática, linguagem, ciências, geografia, história... No boletim a nota mínima era 8,5. Só que eu, movido pela rigidez de criação, certa vez enxerguei "orelhas de burro" (dobragens em um conjunto de folhas por manuseio dentro e fora da pasta) no seu caderno de matemática e isso me deu autoridade para drásticas observações. 
    As faces rosadas do menino que acabara de chegar em casa trocaram de cor. Firmou-se em seu rosto a cor apática dos decepcionados. Sim. Meu filho esperava elogios e eu acabei notando o único erro que cometera. Aliás... Nem era um erro. "Orelha de burro" a gente vê até em um bloco de receitas médicas.
    MUNDO REAL
    Não fui contestado na minha negativa observação. Porém: também não mereci aplausos. Aquele ser inocente estava sendo levado por uma natureza que não lhe permitia se conscientizar de tal nível de severidade. É isso mesmo... Meu filho, de sete anos, não sabia que o mundo era feito de pessoas obrigadas a pisar em ovos. Ele pensava ser o universo - e a Terra em consequência - um lugar para se experimentar as sensações do paraíso. 
    Nada ele disse para corrigir as minhas reclamações. Ficou no mais absoluto silêncio. Mas, nesse silêncio, me transmitiu uma mensagem... "Meu pai... Eu estou empenhado numa caminhada inteiramente correta. Lamento lhe dar esta decepção. Prometo-lhe que isto não vai se repetir."
    Pois é... Com esse posicionamento afável o garoto me colocou em horas de meditação. Longas horas de análise sobre o certo e o errado. E no final... Sim... E no final o que eu conclui? Preciso lhe confessar: no final eu conclui que estava querendo produzir um ser humano acima do perfeito para este mundo que, todos sabemos, é muito imperfeito.
     Oficializado esse raciocínio meditei sobre pessoas que buscaram incansavelmente a perfeição. Martin Luther King, John Lennon, Mahatma Gandhi, John Kennedy, Madre Tereza de Calcutá... Você sabe que existem muitos outros garimpeiros da perfeição. Praticantes da máxima perfeição. Todos eles, entretanto, jazem na iminência do esquecimento. São lembrados hoje? Mas fique certo que serão esquecidos em breve futuro. 
    CONCLUSÃO
     Meu filho querido dos primeiros anos de escola... Você era perfeito... Você é perfeito... Você é aquilo que a nossa pátria ainda não sabe valorizar. Tem a minha admiração - com as "orelhas de burro" tão lógicas no caderno de qualquer estudante. Beijo com o carinho que você sabe existir. 
    Mensagem de frei Wilson Sperandio/Marau 2001: "Lutemos contra esta escola que prende nossos filhos em quatro paredes para impedi-los de pensar."
   

sábado, 1 de abril de 2017

Aceno da esperança

    Capitão Robert Georgio, natural da Itália, 38 anos de idade, comandava um navio cargueiro que, uma vez por mês, fazia a rota Espanha - Turquia. Numa dessas viagens obrigou-se a atracar, em pequena ilha do Mar Mediterrâneo, por causa de um defeito constatado no sistema de engrenagens do navio. Como ficaria ali por várias horas decidiu fazer uma inspeção no limitado espaço de terra cercado por uma imensidão de água. Era um sujeito curioso. Gostava de ir em busca do novo. E, na pequena ilha, se deparou com algo que aguçou a sua imaginação. 
    Quase encostada no pé de um coqueiro havia uma pedra com algo escrito. Robert Georgio se aproximou e leu: "Caro amigo... Obrigado por tudo!" Olhando com mais atenção, ao redor, notou que também faziam parte do cenário ossos de uma pessoa que ali morrera. Essa morte, no entendimento do jovem capitão, não era recente. Tinha ocorrido no mínimo uns cinco anos atrás. A ossada era o único indício de que alguém com vida chegara até à pequena ilha. As letras na pedra tinha sido gravadas com algum instrumento pontiagudo. 
    O navio cargueiro foi consertado em poucas horas e seguiu o seu destino. Na mente de Robert Georgio fervilhava uma persistente imaginação. Ele gostaria de saber tudo sobre aquela pessoa que vivera solitária no pequeno espaço de terra perdido no Mar Mediterrâneo. Por que aquelas palavras de gratidão? O que teria despertado tanta estima por um pé de coqueiro? Foi uma instigação tão expressiva que o comandante do navio cargueiro decidiu traçar um imaginário sobre o isolado episódio ocorrido naquele fim de mundo.
    MOTIVADO NA SOLIDÃO
    Capitão Ferdinand Gonzalez - começou Robert Georgio a tricotar sua história - comandava um navio cargueiro que, uma vez por mês, fazia a rota Espanha - Turquia. Em uma fatídica viagem, depois de muitos anos nesse ofício, ele não conseguiu evitar o naufrágio da sua embarcação. Toda a tripulação sucumbiu. Só ele conseguiu se salvar porque, mesmo sem prática em natação, debateu-se nas águas até chegar a uma minúscula ilha deserta existente nas proximidades. Era uma ilha com capacidade de abrigar uma só pessoa. O espaço era limitadíssimo. 
    Não. A ilha onde Ferdinand Gonzalez se socorreu não era a mesma em que Robert Georgio atracou seu navio. Uma ficava léguas de distância da outra. A pessoa, alojada em uma, pouco podia ver da outra. Mas Ferdinand Gonzalez, mesmo profundamente abalado pelo naufrágio de seu cargueiro e a consequente morte de inúmeros amigos, não perdia a vontade de viver. Nem a esperança de que, a qualquer hora, alguém passasse por ali para levá-lo de volta à Espanha. No intuito de evitar um cruel tédio passou a buscar no horizonte motivações para o dia a dia. 
    Foi assim que o marinheiro acabou concentrando suas atenções em outra ilha deserta. Não podia, em razão da longa distância, sequer vislumbrar com um mínimo de nitidez o que existia naquele outro pequeno espaço de terra/areia. Porém: parecia que alguém, daquela pequena ilha que dali enxergava, lhe acenava amistosamente. Dia, noite... Noite, dia... Semanas... Meses... Anos... O tempo passava e Ferdinand Gonzalez se alentava com o aceno que vinha talvez de alguém tão solitário quanto ele. 
    O comandante do navio naufragado até se sentia feliz porque alguém, de forma incondicional, lhe remetia gestos de consideração e amizade. E assim a vida foi passando. Ferdinand Gonzalez tinha um grande desejo... Não queria morrer e nem envelhecer demais antes de ir ao encontro daquele desprendido amigo. Com esse firme propósito foi aprendendo a nadar, um pouco cada dia, em torno da ilha que habitava. Dedicou-se a esse aprendizado, por vários anos, até que criou coragem de arriscar ir a nado ao encontro do amigo que há muito lhe acenava. Há muito lhe dava motivo para viver. Há muito fazia com que preservasse a esperança de retornar a sua Espanha. 
     AMIGO IMÓVEL
      Foi bem fácil nadar até o amigo que acenava. Bem mais fácil do que Ferdinand Gonzalez podia imaginar. A aventura que por longos anos planejou foi finalmente efetivada. Nadando o marinheiro chegou à ilha que tanto contemplara. Já em terra/areia firme constatou que os acenos que incessantemente o animavam não eram de um homem/mulher como pensava. Eram somente os galhos de um coqueiro balançados pelo vento. "Benditos galhos... Bendito vento... Não fossem vocês eu teria morrido de solidão e desgosto em poucos dias. Vocês me fizeram viver trinta anos - embora sozinho - na mais plena esperança."
    Ferdinand Gonzalez concretizou o esperado encontro quando já estava com 68 anos. Não se decepcionou. Pelo contrário. Fez do coqueiro a melhor companhia para mais vinte anos de vida serena e feliz. Todas as manhãs, religiosamente, ele abraçava o tronco do coqueiro com um amor indescritível. Nem ele sabia explicar tanta ternura. Só que o coqueiro exercia sobre ele um irresistível fascínio. Os acenos que lhe pareciam humanos eram impagáveis. O imponente pé de coqueiro o acalentara e, sem dúvida alguma, merecia o mais elevado nível de gratidão. 
    MENSAGEM DE DESPEDIDA
    Aos 88 anos Ferdinand Gonzalez sentiu que estava prestes a morrer. O coqueiro amigo, pelo contrário, ficaria ali talvez para a eternidade. Então nada melhor do que deixar ao seu pé uma mensagem de gratidão. Foi assim que durante algumas semanas o marinheiro se dedicou a escrever, com uma ponta de flecha encontrada na ilha, "Caro amigo... Obrigado por tudo!".
     Capitão Ferdinand Gonzalez, em momento algum, caiu em depressão. Treinado para ser forte em qualquer circunstância enfrentou a desventura com a mais plena naturalidade. Entretanto: a sua vital motivação foi o aceno de um galho de coqueiro que se parecia demais com a mão humana. 

sábado, 18 de março de 2017

Projeto educacional?

    Estou abismado com o conteúdo de algumas novelas que atualmente são exibidas na televisão. Quero crer que não existe um plano, de mentes maquiavélicas, em busca de seres humanos bem piores do que até agora tínhamos. Quero crer... Mas está difícil.
    Quem presta atenção à essência desses roteiros novelísticos obriga-se a algumas indagações. Por que ensinar tanta maldade em um mundo que está a clamar por socorro? Já não é suficiente a ameaça, de bandidos de todas as espécies, que nos impede de sair em busca de um ar puro nas ruas? Você não acha que passou da hora de encontrarmos um antídoto à violência que nos priva do privilégio da plena felicidade?
    Há na televisão um verdadeiro laboratório do mal. Quem opta pelo caminho do bem, ao assistir essas histórias, chega ao cúmulo de pensar ser um fracasso. É! A pessoa pode concluir que, trilhando o caminho do recato, chegará a lugar nenhum. Na televisão, conforme ditam as novelas, triunfa quem se habilita na articulação do mal. 
    César, João Amaro, Sinhá, Lázaro, Léo Régis, Diana... Através deste nomes temos aprendido como ser eficazes na prática do mal. Como destruir pessoas sem qualquer punição. Como ganhar toneladas de dólares sem sair de casa. Até como manter criminosos cassinos em solo brasileiro. Pode não ser um plano... Porém: quem assiste uma "inofensiva novelinha" das 19 horas pode receber, no final, um certificado de capacitação. Capacitação para o mal.
    IMPORTADOS
     Alguém poderia dizer: "O mal e o bem estão presentes no universo literário. Em livros. Em filmes. Em novelas. Até em histórias infantis". Sim! O mal na dosagem certa, sem conotação didática, ajuda o ser humano a se inteirar totalmente da realidade. O que prejudica e ameaça é uma indisfarçável intenção de tornar o ser humano cada vez pior. Quem assistiu a série Harry Potter sabe o que é um conteúdo bem dosado. Uma essência construtiva. Então: por que nos bombardear, em horário livre, com a máxima doutrina do mal? 
    Devo ter assistido à grande maioria das comédias românticas produzidas nos Estados Unidos da América para consumo no Brasil. Em nenhum momento aprendi, nesses filmes, alguma coisa que me desse luz para o caminho do mal. Essas produções, por alguns bem criticadas, nos permitem só entretenimento. Servem até como ingrediente para serenidade do espírito. A gente ri, às vezes fica bravo, até chora... Só que, no final, o que fica é a mensagem do "feliz". 
    Verdade... As comédias românticas provenientes de solo norte-americano nos ensinam a vivenciar o bem e o mal. Contudo: o mal acaba sendo motivo de chacota. É o bem que triunfa. A gente termina de assistir um filme sem perder pelo menos a ilusão de que o mundo pode ser divertido e até bom. Meus aplausos para os filmes/séries dos Estados Unidos da América. Meu humilde repúdio a essa podridão que o mais poderoso sistema de comunicação brasileiro produz atualmente. 
    Perdoe-me se você tem alguma restrição ao que aqui coloco. Preciso, contudo, lhe falar de uma linha filosófica que tem apontado excelentes resultados. Diante da necessidade de tomar decisão costumo lançar a situação ao cérebro e verificar onde pode estar o erro. Não gasto muito raciocínio em busca do acerto. Invisto mesmo na enumeração do que pode ser erro. Quando concluo que há total inexistência do erro sigo em frente. E não correr risco de errar é o desvio integral da linha do mal. Tenho o hábito de afirmar: "De fazer o bem a gente não se arrepende".  

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Bandeirada do tempo


Sorriso, abraço e gestos outros de amizade.
É bem visível o autêntico na oferta de carinho.
Mesmo a criança rejeita abraço desprovido de afeto.
Finjo que acredito no amor que você declara.
Os tempos que eu almejava mais já se foram.
Hoje nem inteiro esse amor me faz falta.
Imagine então o que penso das suas migalhas.

A esperteza com fantasia de amor e saudade.
É você que vem, depois de um tempo, saciar desejos.
Eu nada perco ao dar-lhe o especial que posso.
Seu desamor teimoso retribuo com o melhor de mim.
É bom estar certo de que meu amor não morre.
Mesmo que os maus tratos insistam em querer mata-lo.
Sofrer me fez criar músculo extra no coração.

Estou ciente do seu papel no palco.
Mas o que um dia senti ainda é intocável.
Você é ligado a mim pelo que corre nas veias.
Sou a você ligado por perene carinho.
Sonhei longos anos por retribuição à altura.
Até que se aplacou minha inquietude.
Hoje sou feliz quando me traz a sua encenação.

A vida anda por cidades, estradas e campos.
O tempo a merecer primeiro lugar no pódio.
Sei que vai existir a hora da bandeirada.
Prefiro crer que esta corrida não terá chegada.
Não posso barrar a sua vocação.
Penso não merecer mais que encenação.
E assim vivo contendo os meus rios de lágrimas.


Meu planeta é uma árvore

A minha caminhada tem muito tempo. Estou chegando de jornadas infindas. Você... Que bom encontrar você. Deixa eu me aconchegar em...